Minha Jornada com o Neurinoma
Então, lembro até hoje quando a coisa começou. Primeiro, uns zumbidos chatos no ouvido esquerdo. Pensava: “Ah, deve ser só cera, ou talvez aquele show alto que fui semana passada”. Mas o negócio não passava. Fui no médico de família, ele olhou, limpou, falou que tava tudo limpinho. Achei estranho, mas fiquei na minha.

Só que aí vieram outras coisas. Comecei a ficar meio tonto do nada, tipo quando você roda de cadeira. Quase caía andando na calçada. E pra piorar, minha audição nesse ouvido foi ladeira abaixo. Ficando cada vez mais difícil ouvir as pessoas. Quando fui tentar atender o telefone nesse lado, foi um susto: não ouvia nada!
Voltei correndo pro médico. Ele ficou sério e disse: “Isso não tá normal, não. Vamos investigar mais fundo”. Me mandou pra um especialista nos ouvidos, e ele pediu logo um daqueles exames de imagem, sabe? Aquele que você entra na máquina que faz um barulhão.
Fiz o bendito exame. Uns dias depois, voltei pra saber o resultado. O médico na sala me mostrou a imagem. “Olha aqui”, ele disse, apontando pra uma bolotinha branca lá no canto da foto do meu cérebro. “Isso aqui é um neurinoma do acústico. É um tumorzinho, mas na maioria das vezes é benigno, não é câncer maligno.” Ainda assim, confesso, meu chão abriu. TUMOR? Na cabeça? O mundo parou na hora.
Ele explicou: esse tumor estava apertando o nervo do ouvido, por isso a audição tinha quase sumido, os zumbidos e as tonturas. Aí veio a decisão: o que fazer? Ele falou das opções:
- Podia ficar só vigiando, se o tumor fosse pequeno e não tivesse crescendo rápido.
- Ou podia ir direto pra cirurgia pra tentar tirar o negócio, principalmente porque a audição já tava bem comprometida.
Depois de pensar muito, escolhi a cirurgia. A ideia daquela massa crescendo dentro da minha cabeça não me deixava dormir. Tinha medo? Um montão! Mas o medo de piorar era maior.

O dia da cirurgia chegou. Lembro da sala pré-operatória, da enfermeira conversando comigo pra acalmar, daquela sensação gelada entrando na veia… e depois, apagou. A cirurgia foi longa, muitas horas.
Acordei no CTI, me sentindo um caminhão me passou por cima. Dor de cabeça forte, enjoo, uma fraqueza… e claro, meu rosto! Metade dele não se mexia! O médico já tinha avisado que isso podia rolar, porque o nervo da cara é vizinho do do ouvido. Ver no espelho foi um baque. Não conseguia fechar o olho direito, nem sorrir com a boca. Mas enfim, o tumor tinha sido removido, essa era a boa notícia.
Foram dias difíceis na recuperação. Aprendendo a cuidar do olho que não fechava, lidando com a paralisia facial. A tontura piorou muito depois da cirurgia, mas fisioterapeutas foram heróis me ajudando a recuperar o equilíbrio aos poucos. E a audição no ouvido operado? Infelizmente, foi pro espaço. Já tava quase nada antes, mas depois sim, é surdez total naquele lado.
Hoje, já faz um bom tempo. A paralisia facial melhorou, mas não voltou 100%, tenho algumas sequelas. A tontura quase não aparece mais, só se eu virar muito rápido. O zumbido ainda fica visitando às vezes. E claro, escutar só de um ouvido é um desafio no dia a dia, aprendi truques:
- Sempre sentar com o ouvido bom virado pras pessoas
- Comprei um aparelho auditivo especial que joga o som do lado ruim pro lado bom.
Não é ideal, mas ajuda.
Por quê tô contando tudo isso? Pra você que tá passando por coisa parecida, saiba: assusta, dói, desanima. Não vou mentir. Mas também é uma jornada que a gente consegue atravessar. Cada caso é diferente, claro, mas fui vendo que não era o fim do mundo. Se cuide, faça os exames, pergunte tudo pro médico e bota pra enfrentar. A vida depois do tumor tem seus perrengues, mas segue colorida!